quarta-feira, 3 de março de 2010

fluxo verbal...silêncio...nariz escorrendo... sem lenço



SILÊNCIO PALRATÓRIO. Falo mais que a boca, mais que os dedos, mais até que a vontade acertada de parar de falar!
Dizer o que não foi dito.Trabalhar somente com aquele acepipe amargo que te apetece como “verdade”.Sussurrar coisas amenas e suaves.Dizer, dizer e dizer...conceito de imagem aqui, acolá, em Bergson, em Husserl, em Taine, fenomenologia, além e aquém e em tantas outras direções mais possíveis e impossíveis sempre estar a falar, falar do isso e do aquilo, falar em gramas, quilos e toneladas. A arte e o conceito não têm limites nem fronteiras.Escrever sobre a noite de ontem no bar, na bodega,na taberna, no a.a., no café, no chá, no almoço e no jantar.Dormir pra não escrever.Tantos disseram, tantos dizem, todos dizem. Mudos se comunicam, pessoas comunicam mundos,linguagem de sinais, blogs, meus bloqueios transmitidos, éclogas de terrenos baldios, bardo que sou!. Arte como alimento? Quero jejuar, mas, não é mais original jejuar e a prática do oficio de jejuador está em desuso, todos dizem e comem e mastigam e derrubam e lambuzam-se e esparrama,de uma maneira em que a arte se tornou uma mesa repleta, suja, com doces de Islândia à morangos do nordeste.Isto é bom? bom é “edredom, leito fofo”,lençol limpo, cama feita, “tudo bem calafetado”, sem precisar contar carneiros, sem precisar citar Mário de Sá Carneiro como acabei de fazer. Ainda vou buscar uma maneira mais original de fazer arte, mesmo que pra isso eu continue dizendo tudo ao contrário do que se pensa de arte, mesmo QUE EU ENTRE num curso prático de Ofiofagia, nem que pra isso eu tenha de começar a escrever de cabeça pra baixo, plantando bananeira, mesmo que pra isso eu vá para uma prisão penal agrícola e simplesmente plante mudas de bananeiras.bananal de banana banal: tudo o que se faz em arte. Minha arte: bananal.(digo no que concerne a arte que eu concebo que tudo o que eu digo: não passa de uma mera tentativa de romper com o silêncio estabelecido por eles, os mestres. os homens que bebo da fonte que eles mesmos secaram. amém.um forte abraço hipotético ao james Kafka,a samuel proust,henrik camus,Jorge Luis beckett e dosTOLSTÓIévsky.





“EU SEMPRE QUIS QUE VOCÊS ADMIRASSEM O MEU JEJUM” DISSE O ARTISTA DA FOME.”MAS NÓS O ADMIRAMOS”, RESPONDEU O SUPERVISOR, CHEIO DE BOA VONTADE.”MAS VOCÊS NÃO DEVIAM ADMIRÁ-LO”, DISSE O ARTISTA DA FOME.”TUDO BEM, ENTÃO NÓS NÃO O ADMIRAMOS”, DISSE O SUPERVISOR,”MAS POR QUE NÃO DEVEMOS ADMIRÁ-LO?””PORQUE O JEJUM É UMA NECESSIDADE, EU NÃO TENHO COMO EVITAR”, DISSE O ARTISTA DA FOME. “ISSO SE VÊ LOGO” DISSE O SUPERVISOR,”MAS POR QUE VOCÊ NÃO TEM COMO EVITAR?” “PORQUE EU” DISSE O ARTISTA DA FOME, LEVANTOU UM POUQUINHO A CABEÇA FRÁGIL E FALOU COM OS LÁBIOS ARREDONDADOS, COMO SE FOSSE DAR UM BEIJO, JUNTO À ORELHA DO SUPERVISOR:PORQUE EU NUNCA ENCONTREI A COMIDA QUE ME AGRADASSE. SE EU A TIVESSE ENCONTRADO, ACREDITE, EU NÃO TERIA FEITO NENHUM ALARDE E TERIA COMIDO ATÉ ME EMPANTURRAR, COMO VOCÊ E TODO MUNDO”ESTAS FORAM SUAS ÚLTIMAS PALAVRAS...”TRATEM DE LIMPAR ISSO AQUI”, DISSE O SUPERVISOR, E O ARTISTA DA FOME FOI ENTERRADO COM PALHA E TUDO, NA JAULA PUSERAM UMA JOVEM PANTERA...”

Por favor quem achar meu livro de bolso senhor e servo de Tolstoi que perdi semana passada, mais o outrro livro de capa vermelha “o retrato do artista quando jovem” que perdi faz uns doze dias, mais um celular LG azul que não sei o modelo que só sei que perdi há umas três semanas, me avisem por favor.plantar bananeiras ajuda a trabalhar o déficit de atenção?a minha carteira já acharam, obrigado.

2 comentários: