
HENRI BERGSON
revista Cult 143.mês fevereiro.dossiê CONSOLAÇÃO E FILOSOFIA.
A Filosofia e o consolo do Tempo.matéria por Débora Morato Pinto.
...A verdadeira manifestação do tempo dá-se por imagens, entre as quais a da melodia ocupa lugar de honra.Em lugar da espacialidade e do horizonte aberto próprio ás imagens visuais, a música representa melhor a verdade do tempo.
"Cronos ensandecido"
Se levarmos em consideração que o tempo da cronologia e do relógio é, com efeito, o tempo elaborado e seguido pela vida contemporânea em sua dimensão social e, sobretudo, em sua dimensão técnica-não sabemos mais dizer onde termina o humano e onde começa o inumano, seja como ramificações tecnológicas, seja como atuações num mundo que é publicização e imagem-a filosofia de Bergson,uma vez compreendida e incorporada, seria um consolo para os males do tempo por si só.Imaginemos o alívio trazido pela descoberta de que o tempo que não para de passar, corroer, aumentar, o time is money ao qual estamos submetidos inexoravelmente, o tempo atrás do qual estamos sempre correndo, que nos angustia, que nos devora, o cronos ensandecido que nos aflige e nos falta, enfim, que esse tempo do século 21 é uma imagem ilusória. Imagine sabermos, de repente, que o tempo não passa como pensamos, que o antes não ondiciona o agora, que o agora não determina o depois, que não podemos saber o antes partindo do depois...A filosofia, como atividade, ou aquilo que podemos, mesmo sob o risco de cometer alguma impropriedade, reunir sob o nome de "atividade filosófica", nos traz algum consolo diante das dificuldades e intempéries do tempo? A resposta mais óbvia seria, talvez, pensar na imagem do filósofo que sai fora do mundo, que se afasta do real, que cai no buraco porque anda examinando as estrelas-esse filósofo não viveria, no sentido mais comum do tempo, e por isso não sofreria...ele estaria eternamente consolado.
Mas Bergson mesmo nos indica outro sentido para nos libertarmos da ditadura do tempo, e que não exige o abandono da vida, o refúgio na ilha da abstração, no mundo dos conceitos. Esse sentido está no ritmo da atividade filosófica, assim como no da Arte:ler um belo parágrafo de um clássico, que nos impele a dar voltas em torno dele, nos conduz a outros pensamentos, a novas imagens daquilo mesmo que determinávamos como pedaços do real:enfim, ler e escrever efetiva e afetivamente sobre filosofia nos obriga a forçar nosso pensamento e nossa capacidade de criar soluções conceituiais (criar conceitos, como diria, Giles Deleuze), significa já,em ato, libertar-se de um tempo dirigido, determinado por um fim,medido por um intervalo.Criar uma obra sem finalidade imediata

JACA
...imprimir às coisas uma emoção, um sentimento, usar enfim a matéria do mundo para expressar nossa pessoa, sua profundidade que revela algo de universal, significa trazer ao tempo da práxis outro ritmo, outra tensão: IMPRIMIR NA ESPACIALIZAÇÃO DA VIDA SOCIAL E TECNOLÓGICA UM RITMO QUE NÃO É O SEU. Significa, mais que tudo isso, ampliar o escopo de nossa experiência, que passa a incorporar os efeitos de uma interiorização criativa.EM QUE ESSA EXPERIÊNCIA NOS CONSOLA?Ela acaba por ser, talvez, mais nossa, nos pertencer de forma mais autêntica e, por isso mesmo, ser mais HUMANA.Se tudo isso ainda parecer excessivamente teórico, terminaríamos dando um exemplo mais concreto:a filosofia é uma atividade praticada por estudantes e estudiosos, professores e mestres, diletantes, e até crianças, mas o fato é que, ao poder ser significativamente exercida pelos ditos "velhos"(grandes filósofos da história produziram obras mais relevantes em idade "'avançada"), ela nos liberta de uma das mais dificeis imposições:a da busca de uma juventude eterna, do tempo perdido.Na filosofia, assim como na Arte, o tempo nunca se perde, ele só se cria ou se transforma.

JACABOU.
...imprimir às coisas uma emoção, um sentimento, usar enfim a matéria do mundo para expressar nossa pessoa, sua profundidade que revela algo de universal, significa trazer ao tempo da práxis outro ritmo, outra tensão: IMPRIMIR NA ESPACIALIZAÇÃO DA VIDA SOCIAL E TECNOLÓGICA UM RITMO QUE NÃO É O SEU. Significa, mais que tudo isso, ampliar o escopo de nossa experiência, que passa a incorporar os efeitos de uma interiorização criativa.EM QUE ESSA EXPERIÊNCIA NOS CONSOLA?Ela acaba por ser, talvez, mais nossa, nos pertencer de forma mais autêntica e, por isso mesmo, ser mais HUMANA.Se tudo isso ainda parecer excessivamente teórico, terminaríamos dando um exemplo mais concreto:a filosofia é uma atividade praticada por estudantes e estudiosos, professores e mestres, diletantes, e até crianças, mas o fato é que, ao poder ser significativamente exercida pelos ditos "velhos"(grandes filósofos da história produziram obras mais relevantes em idade "'avançada"), ela nos liberta de uma das mais dificeis imposições:a da busca de uma juventude eterna, do tempo perdido.Na filosofia, assim como na Arte, o tempo nunca se perde, ele só se cria ou se transforma.

JACABOU.
Certa vez ouvi uma frase comum aos nossos olhos, que nunca mais esqueci...NÃO PERDE MUITO TEMPO PENSANDO NA VIDA, PQ A VIDA NÃO PÁRA PRA PENSAR EM VC. Gostei da matéria sobre o tempo, abraço!
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