"...Acontece aparecerem num repente cegonhas no horizonte, a brisa ligeira traz os seus gritos entre tristonhos e eufóricos, e, um instante depois, por mais ávidamente que fixemos a vista nos longes azuis, não vemos um ponto, não ouvimos um som sequer: assim também as pessoas, com os seus semblantes, as suas falas, aparecerem ligeiramente na vida e submergem em nosso passado, não deixando mais que as pegadas insignificantes da memória...Diante de Ogniov, estava a filha de Kuznietzov, Viera, moça de vinte e um anos, geralmente triste, descuidada no trajar e interessante. As moças que devaneiam muito e passam dias inteiros deitadas, lendo tudo o que lhes vem às mãos, que se enfadam e entristecem, vestem-se geralmente com desleixo.Mas esse ligeiro desleixo no traje acrescenta um encanto peculiar àquelas que a natureza dotou de gosto e do instinto da beleza.Pelo menos, lembrando-se mais tarde da bonita Viérotchka, Ogniov não podia imaginá-la a não ser com um casaquinho largo, que se amassava junto à cintura, formando pregas fundas, mas que assim mesmo não tocava o corpo, com um cacho de cabelo que deixando o cabelo penteado alto, escorregava sobre a testa,com o xale vermelho,de malha,tendo bolinhas felpudas na beirada...

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