"...A um canto obscuro da capela, do lado do evangelho, à esquerda do altar, uma corpulenta senhora estava ajoelhada no meio de sua copiosa roda de roupas. Quando ela se levantou, uma figura vestida de côr de rosa, usando uma cabeleira postiça crêspa,com as boxexas emurpurpuradas e empoadas, ficou à vista. Um sussurro de curiosidade correu por tôda a capela à descoberta de tão feminil figura.Um dos prefeitos, sorrindo e agitando a cabeça, aproximou-se do recanto obscuro e, tendo se abaixado para a senhora idosa corpulenta, disse num gracejo: - Mas é uma rapariga linda ou uma boneca o que a senhora tem aí, Sra. Tallon? Então, virando-se depois para espiar aquêle rosto pintado que sorria sob a aba do boné, exclamou: - Que boneca o quê! Por minha palavra, creio que, afinal de contas, é o menino Bertie Tallon!...
continua no RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM, JAMES JOYCE.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
"-Raios me partam - disse com a maior franqueza o Sr.Dedalus - se percebo como é que o senhor pode fumar um tabaco assim tão medonhamente ordinário. Nem pólvora de espingarda, valha-o Deus..."
pg.59: O retrato do artista quando jovem,James Joyce
em 25 de novembro de 1970 o escritor japônes Kimitake Hiraoka, mais conhecido como YUKIO MISHIMA, invade o quartel general das forças de auto-defesa do japão,e comete o hara kiri(suicidio praticado por samurais com uma espada empunhalada na barriga) concretizando assim o suícido público com o qual sempre sonhou.
Minha anti-proposta parte do seguinte aspecto: o que é dor pra mim, não é dor pra outrem. O que é deleite pra outrem é desgosto pra mim, e vice versa.Por todos os lados paralelos possíveis, esse paradigma se dá. Visto isto, persistir num diálogo literário baseado na minha compreensão por outros seria um dispautério único de pretensa universalização de minhas dores, meus amores, minhas casas, minhas não causas. Por mais que eu tente escapar ileso, por mais que me esforce pra dizer o pró e o contra num mesmo sentido, ainda assim, não posso escapar de um parâmetro, de uma cerca de arame farpado: a banalização do uso humano da linguagem. Antes de mim todos podiam escrever, hoje sinto que escrever foi uma herdade herdada em que planto planto planto e não brota nada pra mim colher com a colhér. É tudo muito seco, desértico, árido, vazio, sem eventos, sem ventos, um lugar indigno de lufadas,de sossegos, de amenidades, mas é nisto que me presto, catar hipotéticos ventos pra contar-vos vento.Ah, mas nem assim eu consigo ser original,se eu não sou original, isso não se dá pelo fato de eu só copiar idéias e subterfúgios dos meus mestres mortos: canônes. Se eu não alcanço a originalidade, antes isso se dá porque eu não nasci com três pernas, oito braços, cinquenta ouvidos, e dez cabeças (físicas e não pensantes).Ah, se eu tivesse tuso isso num corpo só, tudo seria diferente, eu seria original, contratariam-me pra um circo, ou me enterrariam como um vivinho da Silva sem tempos pra conhecer a Vivinha da Silva.Por que eu não me basto como os outros do meu tempo que também escrevem? É porque eu não vejo sentido de escrever sussurros sem a intensidade do grito, porque eu não concebo ser claro como os outros sem o recurso da penumbra, porque eu não consigo estar na existência se não for de uma maneira máxima de insistência, porque eu não vejo motivo de dizer possibilidades sem que não haja uma impossibilidade latente, gritante,registrada a ferro, fogo, chumbo,estrelas, vômito, sangue, plastro, cancro, mel e absinto nisto tudo.Desperto pro desespero, sou esperto no desespero, sorrio no desespero, e a única maneira de eu estar calmo é estando desesperado. Não há tempo, o tempo foi perdido, a idade do ouro tornou-se o agouro cumprido, um agouro comprido. Tudo o que há a ser feito é fazer o que não já faz sentido ser feito.Eu sempre que me proponho a escrever observo que estou adentrando uma vasta porta que vai baixando, baixando gradativamente conforme as palavras vão baixando do vácuo da minha auréola pensante ao papel de burro de carga que aceita tudo o que descarrego.A arte de escrever é uma porta imensa de possibilidades, e isso é lindo, lúdico, mas não sou ludibriado.Conforme vou lendo o que acabo de escrever a porta vai baixando cada vez mais, e antes que eu a transponha ou conclua a leitura eis que a porta desce pesada, lancinante e cortante feito uma bastilha, feito uma navalha. A MINHA SATISFAÇÃO RESIDE APENAS NO FATO DE EU NUNCA TRANSPOR A PORTA PRO OUTRO LADO. A MINHA SATISFAÇÃO MÁXIMA RESIDE TÃO SOMENTE AGORA NO FATO DE EU NÃO TER NASCIDO COM CABEÇA SUFICIENTE PRA SER CORTADA.Mas nasci com alma, isto é certo, minha alma foi enfeitiçada pela benzedeira de fundo de vale da vila, naquela mesma benzedeira que minha avó paterna me levava pra que emplastros, reza e elixires me aquietassem quando eu era criança. Fui um menino tímido e aquietado de´pois de benzido, mas desde então a benzedeira me inquietou com a benção e a maldição disto tudo que é haver Literatura em minha compreensão de mundo...
terça-feira, 6 de abril de 2010
OS ANIMAIS TÊM CONVIVIDO MUITO COM SERES HUMANOS QUE SE APAIXONAM POR POSTES. CONFIRAM ESSE POST:
revista cult 144 dossiê:Perversão, matéria de Flavio Carvalho Ferraz.
"...a "invenção" do fetiche também ensina algo sobre a formação da sexualidade psíquica do ser humano.Como todo animal, ele possui um instinto sexual que o leva a buscar formas de descarregar sua excitação.Mas-e nisso ele é totalmente diferente dos animais-a determinação do objeto sobre o qual seu interesse recairá não é, inteiramente,um produto da natureza biológica...O interesse sexual na espécie humana,desconectou-se do imperativo da reprodução da espécie...O HOMEM É O ÚNICO EXEMPLAR DO REINO ANIMAL QUE PODE, POR EXEMPLO, APAIXONAR-SE POR UM POSTE!"
NOTAS DO FILOSOFOFO CACHORRINHO CACHORRONALDO VIRA LATAS NA DUQUE DE CAXIAS:
"BLABLA AU AU...FORMAÇÃO DA SEXUALIDADE PSIQUICA DO SER CANINO...INSTINTO SEXUAL...EXCITAÇÃO AUUU AUUUU AUUUU...BLABLABLA....FETICHE...DESCONEXÃO DO IMPERATIVO SEXUAL DAREPRODUÇÃO DA ESPÉCIE...AU AU AU AU BLABLABLA...PSICOSE...PSICÃOZE...ENTÃO O CÃO É O ÚNICO EXEMPLAR DO REINO ANIMAL QUE PODE, POR EXEMPLO APAIXONAR-SE POR UM TAPETE"
JÁ QUE OS HOMENS GOSTAM DE PEGAR AS "CACHORRAS" PORQUE OS CÃES NÃO PODEM PEGAR AS"GATINHAS"?:
COITO INTERROMPIDO:
quinta-feira, 1 de abril de 2010
"NINGUÉM ACENDE UMA LÂMPADA PARA A COBRIR COM UM RECIPIENTE, NEM PARA COLOCÁ-LA DEBAIXO DA CAMA: AO CONTRÁRIO, COLOCA-A NUM CANDELABRO, PARA QUE AQUELES QUE ENTRAM VEJA A LUZ." Lucas 8:16