sexta-feira, 26 de novembro de 2010
fragmentos:
...em transes bucólicos aos modos de Diógenes ele estava estirado na grama, por sobre as árvores que sombreavam as margens do lago.Aquilo de existir pessoas pescando, fazendo canoagem, passeando, andando sobre as aguas de jet sky, era apenas uma amostra da diversidade de gostos e predileções, ou melhor ainda, uma forma com a qual as pessoas encarnavam de diferentes gestos , jeitos e trejeitos a postura que tomavam quanto ao modo como assassinariam os segundos, os minutos e as horas de uma tarde dominical.ora a calma, ora o celeuma, ora gritos, risadas, barulhos de passos de ambos os sexos no chão seixoso. Ele pensou quão bom era não ter compromisso com pensar na vida fazendo alguma atividade que tomasse tempo e fizesse suar as idéias da cabeça. Pensou na desenvoltura contorcida que o pensar na vida toma quando se pratica o ócio e a indolência de estar estirado na grama abaixo de um céu imenso pensando se diógenes ou Pã.como era duro ter a consciencia embebida na geometria de analisar árvores grandes e estar agigantado de idéias dentro de um corpo mais pequeno que o céu e as árvores e só um tanto maior que as ervas e os insetos.mas, conformava-se dentro de um núcleo de incomformidade natural, do tipo da incomformidade das galharias que nascem desgrenhadas, das folhas que se soltam das galharias,das nuvens que desorganizam a imensidão azulada do céu.se ele era um escritor, isso não sabia, não, não era um escritor bem ao certo, sabia apenas que tinha uma inquietude que o levava sempre ao papel de escritor ou ao papel de pão. Como jamais havia pubicado , como não era um rigoroso exegeta, como não tinha sistema, tinha consigo a marginalidade no contexto literário de um informal.se pensava poéticamente era devido a forma como a poesia sempre rompe com a letargia, se pensava poéticamente era por meio da viciosa sinestesia que invadia o pensar, seja pela impregnação sugestiva de todas as coisas que há no mundo, ou seja pelo mero meio evasivo de fugir de todas as coisas representativas do mundo.no fim,o pensar pra fora ou pra dentro, a sugestão poética contemplativa ou de evasão era tudo dentro do mundo. Isto era factual e muito óbvio...
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