
Logo nas primeiras horas da manhã, uma explosão sensitiva de aromas e fragrâncias. Na mão um buquê de sabonete num mesmo jardim de banho cotidiano. Afora a sensação de estar sempre no mesmo jardim esfumaçado, um novo creme dental de menta americana de defronte ao espelho faz me refletir em um Francis Scott Fitzgerald com uma certeza de que Suave é a noite e Suave a manhã também. Acordo sempre nas últimas horas matinais. Meu desodorante tem um toque de chocolate, a chávena esfumaça um cheiro também do chocolate pro meu deleite. Na escrivaninha que carrego pra fora pra perto do jardim, ocupo meu lugar ao sol. Ao sol de Camus,ao sol dos comuns. A sensação macia e bucólica da primeira impressão viva do gato que come flores e ervas pra curar alguma dor de barriga. O gato roça por minhas pernas, serpenteia,o tépido calor do colar de fogo celeste faz-me pensar na energia vital que tanto me falta em momentos de TAEDIUM VITAE, e tanto sobra ao sol, que faz coisas mais importante que pensar no que verdadeiramente é importante.” É estranho pensar que freqüento e existo num ambiente de bom odor enquanto no mundo há uma quantidade infinita de lixões, cadáveres túmidos em decomposição, fossas, esgotos a céu aberto, feras e maníacos ao invés de gatos que buscam a cura comendo erva. Uma constatação matinal como o aprendizado da matemática para os meninos do período matutino: O MUNDO É SUJO E LIMPO. DESÉRTICO E HABITADO. O MUNDO É INÓSPITO E HABITADO. O MUNDO É FÉTIDO E DE BOM CHEIRO.”O MUNDO DO FELIZ É UM MUNDO DIFERENTE DO MUNDO DO INFELIZ...”Wittgenstein. E é possível também que no mundo se esteja sujo após um banho bem tomado, ainda mais, é possível também que se esteja limpo e alvo como a neve e o pelo do gato escovado, mesmo se estando sujo e estropiado”. Essas conclusões tirou ele a partir do banho, do ar matinal, do pelo macio do gato e da leitura às 11:00 da Ética de Wittgenstein, a partir do Tractatus.”É certo também que quando se lê sob a forte luz do sol, a vista fica embaçada durante alguns instantes quando do sol se sai.Assim também se dá metafóricamente e filosóficamente quando se lê o Belo das letras luzes e se sai desavisadamente para defronte da televisão, das situações cotidianas, das filas das repartições públicas, da viagem cotidiana pela desventura vulgar do comum e usual, de tudo o que não é Literatura e Arte, de tudo o que é ordinariamente regido pela convenção cega das regras humanas.Ah, as ruas, a vida, as avenidas, o campo, os cachos de banana banal, o prolixo que prolifera até quando vai pro lixo. O sangue, as comunas, a ignorância que sempre será o oráculo de nosso tempo, dos tempos idos e dos tempos que hão de vir.O declínio do Império, AS INVASÕES BÁRBARAS!
vixxx .. muito bom mano !!
ResponderExcluirli. :}
ResponderExcluiro witt tem uma aparência levemente medonha, mas eu gosto.
fiquei lembrando do coco do gato no quarto com cheiro de vômito... mas aí lembrei do cheiro do seu desodorante e parece que tou sentindo ele agora.