“-Aconteceu-me uma coisa,Stevie, no último outono, já ao vir do inverno, e nunca contei a uma alma viva.Tu és, agora, a primeira pessoa a quem eu estou contando. Não me lembro bem se foi em outubro, ou em novembro. Foi em outubro, visto que se passou antes de minha chegada aqui para me matricular...Ora bem, comecei a andar, e já a noite vinha vindo quando cheguei às colinas de Ballyhoura, o que significa mais de 10 milhas adiante de Kilmallock. E ainda tinha uma comprida estrada solitária, depois disso.Não se via sinal duma só casa de cristão ao longo da estrada e, de barulho, nem um pio.Estava escuro que nem breu. Uma ou duas vezes, parei sob o arvoredo para reacender o meu cachimbo; e se não fosse o orvalho, que era abundante, eu me teria estirado ali mesmo e dormido.
“Até que por fim, depois dum estirão de estrada,lobriguei uma cabanazinha com uma luz na janela. Desviei-me para lá e bati na porta. Uma voz perguntou quem era e eu respondi que tinha ido
à partida em Buttevant e estava vindo de volta e que ficaria muito grato se obtivesse um copo d´água.Não demorou muito, uma mulher ainda moça abriu a porta trazendo-me uma enorme caneca de leite.Estava meio despida, como se estivesse para se deitar na hora em que bati; tinha os cabelos caídos, e pensei comigo ante aquele rosto e certa expressão dos seus olhos que devia trazer um filho, entendes? Prendeu-me ali na porta a conversar algum tempo e eu achei aquilo extravagante, visto como os seus ombros e o seu peito estavam descobertos. Perguntou-me se eu estava cansado e se gostaria de passar a noite ali. Disse-me que estava inteiramente sozinha na casa e que o marido tinha ido aquela manhã para Queenstown a acompanhar a irmã.E todo o tempo em que esteve a falar, Stevie, tinha os olhos fixos na minha cara! E estava tão perto de mim que eu podia ouvir a sua respiração.Quando lhe devolvi o canecão, acabou por segurar a minha mão, puxando-me para a soleira, e disse assim: “ENTRE E PASSE A NOITE AQUI. NÃO TEM MOTIVO PARA FICAR ASSUSTADO. NÃO TEM NINGUÉM, A NÃO SER NÓS...”POIS EU, STEVIE, NÃO ENTREI . AGRADECI-LHE E PROSSEGUI, DE NOVO, O MEU CAMINHO, TODO EM FEBRE. NA PRIMEIRA CURVA DO CAMINHO OLHEI PARA TRÁS E LÁ ESTAVA ELA AINDA À PORTA.”
RETRATO DO ARTISTA QUANDO JOVEM, JAMES JOYCE. PG.:171 E 172
“O Humbertinho não tem super-ego, ele é um psicopata em potencial!” Marco Gobato
Aconteceu-me uma coisa há uns anos atrás,ACONTECEU-ME VÁRIAS COISAS HÁ ALGUNS ANOS ATRÁS, mas este fato que me permito narrar, pela talvez ausência de um super-ego (conforme afirmam), veio a ser matizada pela semelhança com um trecho do livro O retrato do artista quando jovem, de James Joyce. Talvez isto se deu também no outono,,, ou no inverno visto que chovia e o tempo era frio.Ela chegou no escritório do meu pai no horário marcado,pontualmente cheirosa.Perguntei-a porque não veio á pé, de submarino ou de fiacre.Respondeu-me que o taxi saiu mais barato e buscou-a na. porta do prédio.Trepliquei se não era o caso de estar seguindo o clichê nova iorquino do seriado SEX AND THE CITY em que taxis amarelos transitam de lá pra cá a conduzir almas femininas pra encontros em restaurantes. Nada me respondeu, simplesmente sorriu-me.Ela queria ver vitrines no shopping center e naquela época eu não era tão afeito a shopping center como sou hoje e como era quando meu pai me levava semanalmente na infância pra comprar mclanche feliz, cartucho de nintendo 64, ou vhs dos desenhos da Disney.Propus sairmos pra beber, fomos em uma lanchonete ali perto do terminal de ônibus, o STAR LANCHES, dir-se-ia a estrela mais cintilante das partes baixas do centro. Entre traficantes e putas tomamos cerveja barata.Aquele com certeza não era um recinto de jovens como nós, e embora bebíamos cerveja Comte, ou seria Conti? Não éramos estudantes de ciências soiciais em pesquisa de campo.Com tantas protesTETAS feias e desdentadas a minha cabeça estava em um conto de Dalton Trevisan,"a gorda do tiki bar". Hoje eu tenho uma certeza que o erro começou na escolha do programa À dois.Mas ela quis beber ali mesmo, ela queria experimentar as coisas baixas da vida na avenida B***** C******. A caloura calorenta do curso de moda na universidade *******chegava ainda cheirando o lírio dos campos em que vivera,tinha pele de trigo a moça trigueira, a vida na cidade estava acendendo o carvãoziho dela, torrãozinho de carvalho. Ela era como madame Bovary que havia recentemente chego na cidade grande, ela tinha um “entusiasmo selvagem” de Macha, dum conto de Tolstoi:”...a opinião geral sobre mim naquele baile (bar), que eu soube depois através da prima de Serguêi, foi que eu era completamente diferente daquelas moças(putas), QUE EU TINHA UM QUÊ INTERIORANO, SIMPLES E ENCANTADOR( de fato!) fiquei tão lisonjeada com meu sucesso que disse francamente ao meu marido (acompanhante) que gostaria de ir a mais dois ou três bailes, ainda naquela temporada...” Já bêbada, me pediu pra sairmos dali pra que buscássemos vinho na A**** . Depois disso bebemos nas escadas da catedral.Sacros ou profanos? Eu vi a auréola dos seios dela ali mesmo, juro, e era angelical a tal visão. Em seguida me pediu pra que eu a acompanhasse até a sua casa, duas quadras dali, visto isto não insisti pra levar pro meu apartamento.Mas,uma onda de sobriedade, castidade e espírito cinéfilo me atrelaram quando chegamos na portaria do seu prédio e ela me disse com lânguidez:"Entra,vem dormir comigo", todo aquele invólucro virginal que ela sempre deu ares se desfez pelos ares. Eu, pensei em subir, mas tinha assistido há algumas semanas antes, o filme vanilla sky em que Brian o escritor e amigo loser de David (Tom Cruise) diz: O mel nunca é tão doce sem o fel, e é preciso saber o que é o fel pra se apreciar o mel" , foi nesta que eu procrastinei uma noite de sexo com uma garota incrívelmente gostosa e sentenciei-me por meio desta: :"-AHHH, C****, HOJE NÃO! DEIXA PRA OUTRO DIA, VOCÊ ESTÁ MEIO ALTA"
a nunca mais transar ou ter proximidade com ela durante toda a minha vida
"-Ahhhhh, sério que você não quer? intão tá!"
Pensei em adiar o prazer pra que em conserva ele se intensificasse, pensei que se entrasse naquele dia seria bom, mas se me resguardasse pra outra noite seria ainda melhor “Lê mieux est l´ennemi du bien” ...
Hoje ela me odeia, amém..
"UMA FODA PERDIDA
É PRO RESTO DA VIDA"
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ai, muito bom o conto em sr humberto, até parece que foi real. muito bem escrito ahh gostei do fim romantico mais hoje isso ja nao é tao real assim
ResponderExcluirsahsahusahusha