quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O CÉU TAMBÉM É SEU. O SEU TAMBÉM É CÉU.



CREIO MUITO POUCO EM TUDO, MAS CREIO MUITO QUE ESTA POSSA SER A DESPEDIDA E O INICIO DAS FÉRIAS DE TEMPO INDETERMINADO QUE VOU TIRAR DE POSTAR TEXTOS MEUS. AS MÃOS CANSADAS DISSO TUDO. AMÉM.


Hoje num Café percebi que com muita cafeína se pode ter movimentos acelerados, mas, hábeis ao mesmo tempo.Ontem tomei o último café da máquina no Café do Com-Tour, hoje tomei o primeiro café da máquina no Café do Condor. Dois cafés pela manhã, movimentos acelerados, pretensos, e, sobre a hipotética trilha francesa de um Yann Tiersen mais convulso e histérico do que o habitual, disputei comigo mesmo entre movimentos mecânicos alterados por cafeína e a elegância de tentar controlá-los."La dispute" entre o ritmo acelerado e a destreza, meu deus, que falta do que fazer... Mexe o açucar, mexe o açucar, mas sem deixar transbordar da xícara para o pires, e o sargento Pires, embora digam ao contrário,é limpeza, foi ele quem livrou a minha cara daquela vez que caímos com lança perfume no cinema do shoping da excursão da escola pro filme OLGA. Limpo a gota de café da página, limpo mais uma vez a gota de café de outra página, desta vez na 76. "...produz-se, quando ainda se encontra na cama, o lugar mais familiar para qualquer pessoa..." eu não tenho irmandade com minha cama.Não,nem isso! Hoje pulei logo cedo dela. Logo nas primeiras horas que precede a alvorada, eu abarquei o céu com meus olhos cansados de remanso antigo sem barcos, remanso que não tem nascente tampouco desemboca em outros...remanso que não tem peixes mas ás vezes creio que tem pixels, olhos de remanso que persiste sem que o sequioso sol o enxugue de ser remanso. No céu, uma dispersa horda de nuvens nocturnas também persiste em continuar vagando nocturnamente pelo céu já quase todo azul celeste. Falanges e mais falanges azuis e na minha frente o estádio do azul celeste time da cidade. O azul celeste mais afundado de todos os azuis celestes. Qual celestino agora não já está na labuta? Qual nuvem escura eu já não tenho tantas vezes me sentido em dias claros?! Uma mulher negra desce pela rua com sua negra sombra de roupas curtas e a vida encurtada pelas drogas de madrugadas.Passa por mim do outro lado, se detém de tamancos em mãos e pés descalços no asfalto molhado. Odeio esta sensação túmida de pés descalços em piso molhado. Ela pára timida e fixa os olhos no meu cigarro, mas só diz "oi!" digo "oi!" também. Segue em frente e é engraçado que mesmo quando se anda pra trás metafóricamente falando, se siga sempre em frente. Mesmo que se exista estacionado e guindado psicologicamente pelos primeiros sucedâneos traumatizantes de lá atrás, ainda assim, todos seguem sempre em frente, e seguir em frente é uma direção qualquer, como seguir pra trás, ser guri lá atrás,ou pros lados,ou crescer adulto sem uma direção qualquer.Ela que passou pela rua sem ter passado por mim,dorme na calçada lá embaixo. Eu descrevo seu sono mas quem dirige seu sono? Um cansaço obtido.Quem dirige e direciona a humanidade? abdico de respostas por cansaços obtidos. No céu um risco de nuvem penetrada pela primeira força matinal do sol. Um risco laranja fosforescente de nuvem qual pincel atômico que se usa pra demarcar cláusulas em contratos processuais. Um pequeno frame de um céu de Monet. Uma pequena impressão celestial de baunilha num manto azul tal toalha de mesa sem gorduras de todas as manteigas de todos os cafés da manhã. Nunca compreendi qual mistura de céu e sol compõem este matiz fundido em vanilla sky. Mas é um alívio momentâneo em meio ao peso azulado do céu.Ah, livia é meu colorido! Bufo, suspiro, grasno, rosno, e solto a fumaça do cigarro que não gostas que eu fumo bem em direção ao escapamento do ônibus que solta fumaças bem em direção do moço eu que fuma. "La dispute".É engraçado como meu pai proporcionou-me a vida toda a situação pra que eu viesse um dia a me tornar poeta. É trágico como eu me rebelei como Caim e cai em graças de poesia maldita,sonambólica, extensa sem tesão e também como eu herdeiro fui optar pela poesia dos deserdados que partiram pra Node depois do assassinato de Abel.E hoje por força de ser poeta, eu não encontro respaldo nenhum em me sentir poeta.Pelo amor de deus, o que é isso de ser poeta.Não sei, não sou. Ninguém precisa de poetas, desde que tenham noites de sono,despertador, café passado, transporte público, carteira assinada e sustento pra prole, NINGUÉM PRECISA DE POETAS OU POESIA, E A ÚNICA POESIA QUE HÁ, É A COMPRA DE INICIO E TÉRMINO DO MÊS. Estou prolongando o discurso de dizer-me não poeta.Sequer PRECISO DE UMA afirmação pra não ser poeta, basta não ser.No céu pássaros voam em revoada formando um V? V de vôo? V de vida? Árvores choram ou insetos mijam bastante? Por que a mente parece sempre desmentir cada instante de verdade obtida através das sensações?


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